Ele expõe uma crise de credibilidade no topo do Judiciário brasileiro. Justamente onde deveria existir o máximo de rigor, distância institucional e confiança pública.
Estamos falando de um banco liquidado de forma extrajudicial, investigado por indícios graves: uso de laranjas, operações financeiras suspeitas, fraudes e possível lavagem de dinheiro. Um caso que, em qualquer democracia madura, exigiria transparência, atuação técnica da Polícia Federal e respeito ao devido processo legal. Até aqui, nada demais. O problema começa quando o processo desembarca no Supremo Tribunal Federal e passa a ser conduzido de forma que levanta mais dúvidas do que respostas. Afinal, o SIGILO É ABSOLUTO.
A condução do caso por um ministro que nunca foi aprovado em concurso para juiz, fato público e notório, já seria suficiente para exigir ainda mais cautela e sobriedade. Mas o que se vê é o oposto: decisões atípicas, sigilos amplos, interferências que parecem extrapolar o papel constitucional da Corte e, pior, episódios que colocam em xeque a aparência mínima de imparcialidade exigida de um magistrado do STF.
Quando um ministro viaja para uma final de Libertadores na companhia de advogado ligado ao processo, não importa a explicação posterior. Na Justiça, não basta ser imparcial… É preciso parecer imparcial. E esse limite foi ultrapassado. A toga não é salvo-conduto moral, nem escudo contra críticas legítimas da sociedade.
O STF não pode se comportar como instância política, tampouco como balcão de proteção seletiva. Sua função é clara: guardar a Constituição, não reinterpretá-la conforme conveniências, relações ou circunstâncias. Quando o Supremo passa a sufocar investigações técnicas ou a gerar desconfiança sobre suas motivações, ele deixa de ser solução e passa a integrar o problema institucional do país.
A pergunta que fica é simples, mas incômoda: se esse caso envolvesse um cidadão comum, a condução seria a mesma? Se a resposta for não, então algo está profundamente errado.
O Brasil precisa de um Judiciário forte, independente e respeitado. Mas respeito não se impõe. Se constrói com coerência, ética e distância do poder econômico e político. O caso Banco Master é um teste para o STF. E, até agora, o tribunal não tem passado uma boa imagem.
Quem enfraquece investigações, relativiza conflitos de interesse e fecha os olhos para a aparência de parcialidade não defende a democracia. Defende apenas o próprio poder.
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