Matheus Tolentino
Advogado e Servidor Público. Chefe de Gabinete do Vereador mais votado da história de Guarulhos.
STF: do papel de árbitro ao centro da crise.
O caso do Banco Master escancara um problema que vai muito além de um banco ou de uma investigação específica.
Ele expõe uma crise de credibilidade no topo do Judiciário brasileiro. Justamente onde deveria existir o máximo de rigor, distância institucional e confiança pública.

O Supremo Tribunal Federal (STF) é a instância máxima do Poder Judiciário no Brasil. — Foto: Fellipe Sampaio/STF
Estamos falando de um banco liquidado de forma extrajudicial, investigado por indícios graves: uso de laranjas, operações financeiras suspeitas, fraudes e possível lavagem de dinheiro. Um caso que, em qualquer democracia madura, exigiria transparência, atuação técnica da Polícia Federal e respeito ao devido processo legal. Até aqui, nada demais. O problema começa quando o processo desembarca no Supremo Tribunal Federal e passa a ser conduzido de forma que levanta mais dúvidas do que respostas. Afinal, o SIGILO É ABSOLUTO.
A condução do caso por um ministro que nunca foi aprovado em concurso para juiz, fato público e notório, já seria suficiente para exigir ainda mais cautela e sobriedade. Mas o que se vê é o oposto: decisões atípicas, sigilos amplos, interferências que parecem extrapolar o papel constitucional da Corte e, pior, episódios que colocam em xeque a aparência mínima de imparcialidade exigida de um magistrado do STF.
Quando um ministro viaja para uma final de Libertadores na companhia de advogado ligado ao processo, não importa a explicação posterior. Na Justiça, não basta ser imparcial… É preciso parecer imparcial. E esse limite foi ultrapassado. A toga não é salvo-conduto moral, nem escudo contra críticas legítimas da sociedade.
O STF não pode se comportar como instância política, tampouco como balcão de proteção seletiva. Sua função é clara: guardar a Constituição, não reinterpretá-la conforme conveniências, relações ou circunstâncias. Quando o Supremo passa a sufocar investigações técnicas ou a gerar desconfiança sobre suas motivações, ele deixa de ser solução e passa a integrar o problema institucional do país.
A pergunta que fica é simples, mas incômoda: se esse caso envolvesse um cidadão comum, a condução seria a mesma? Se a resposta for não, então algo está profundamente errado.
O Brasil precisa de um Judiciário forte, independente e respeitado. Mas respeito não se impõe. Se constrói com coerência, ética e distância do poder econômico e político. O caso Banco Master é um teste para o STF. E, até agora, o tribunal não tem passado uma boa imagem.
Quem enfraquece investigações, relativiza conflitos de interesse e fecha os olhos para a aparência de parcialidade não defende a democracia. Defende apenas o próprio poder.